As Ordens Arquitetônicas Gregas

Com grande importância até os dias de hoje, as construções produzidas pela civilização grega na Antiguidade constituem um dos grandes momentos da arquitetura mundial e formam o estilo que hoje chamamos de Clássico. Os gregos foram os responsáveis pela consolidação de uma linguagem arquitetônica que ainda usamos e também por adequar a arquitetura como um campo de estudo próprio, separando-a das demais formas de arte. Com esse novo espaço teórico, pela primeira vez existe um controle do processo de produção de arquitetura em si – e se toda forma de arte possui seus processos e regras objetivas, em arquitetura essas regras foram chamadas de ordens.
As ordens são a base da arquitetura grega, e decodificam essa arquitetura em vários elementos com o objetivo de realizar nas construções todo o ideal de beleza grego, além de reproduzir as proporções da natureza, consideradas ideais de perfeição. Assim, os elementos arquitetônicos característicos de cada ordem expressam uma visão do que seria de fato uma bela arquitetura, a mais próxima da perfeição. De forma geral, esses elementos são: as colunas, o entablamento (com a arquitrave e frisas) e o frontão.

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Elementos arquitetônicos e características de cada ordem [Fonte: Strickland, Carol. Arquitetura comentada. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003]
As colunas são os principais elementos arquitetônicos de cada ordem, e de forma simples, são formadas por três partes: o fuste, que é o corpo da coluna; a base, na qual o fuste se apoia; e o capitel, que é o elemento decorativo no topo da coluna e possui uma aparência diferente em cada ordem, sendo este o elemento principal para distingui-las. A coluna sustenta o entablamento, elemento que sustenta a cobertura (fazendo a função da viga).

São três as ordens gregas: a dórica, a jônica e a coríntia. Essas ordens surgiram em locais diferentes e são uma forma de variação umas das outras, porém cada uma tem uma estética distinta e levam os nomes de alguns povos das regiões de sua origem. O elemento que torna mais fácil identificar cada ordem é o capitel das colunas.

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O capitel de cada ordem grega [Fonte: Koch, Wilfried. Dicionário dos estilos arquitetônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.]

Os templos eram para os gregos as construções mais importantes, não só por motivos religiosos, mas também porque eram a expressão máxima de seus conhecimentos, de sua arte e de sua arquitetura. A intenção era que o templo em si fosse visto como uma manifestação artística, uma espécie de escultura, e por isso sua estrutura tinha como propósito principal seu visual, impactando por sua beleza proporcionalmente calculada. De forma geral, eram cercados por colunas; O pequeno espaço interno servia para abrigar as esculturas e estátuas dos deuses com segurança e não para cerimônias ou reuniões de pessoas; isso era geralmente realizado nos espaços externos.

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Templo de Zeus, que exemplifica como eram configurados os templos da época [Fonte: Koch, Wilfried. Dicionário dos estilos arquitetônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.]

ORDEM DÓRICA

“A ordem dórica era simples e maciça. Os fustes das colunas eram grossos e firmavam-se diretamente no estilóbata [sem ter base]. Os capitéis, que ficavam no alto dos fustes, eram muito simples. A arquitrave era lisa e sobre ela ficava o friso que era dividido em tríglifos – retângulos que podiam ser lisos, pintados ou esculpidos em relevo. ” (PROENÇA, 2001, pp. 30-31).

Identificada pelo capitel de coluna mais básico dentre as três ordens, foi desenvolvida no período arcaico e chamada por Vitrúvio, principal arquiteto do período greco-romano, de “a ordem masculina”: A altura da coluna seria seis vezes o seu diâmetro, em referência ao pé masculino, que equivale a aproximadamente 1/6 da altura do homem. O entablamento das estruturas dóricas tinha um quarto da altura e cada coluna era composta de vários tambores sobrepostos com entalhes verticais. As colunas segmentadas passavam a ideia de fluidez e os elementos juntos proporcionavam coerência e unidade visual. É a ordem que surge com as construções em pedra ao invés de madeira e por isso adapta as técnicas de carpintaria. A decoração dórica dá ênfase à estrutura e o formato básico de suas construções eram estruturas retangulares de mármore cercadas por uma fileira dupla de colunas com dois pórticos, um na frente e outro atrás. Os pilares aumentam sua espessura do meio para baixo, efeito que se chama ênfase usado para que haja harmonia visual: Por uma ilusão de ótica, elementos verticais podem se estreitar quando se eleva e por isso aumentar a circunferência das colunas dá a impressão de linhas retas.

A maior expressão da ordem dórica e também da arquitetura grega é o Partenon, templo mais conhecido da Grécia Antiga, erguido para a deusa Atena e localizado no topo da Acrópole, na cidade de Atenas. Foi construído em mármore branco e seus ornamentos foram pintados de azul, vermelho e dourado. Guardava em seu interior várias esculturas, sendo a principal uma escultura de Atena em ouro e marfim. Para sua construção foram reunidos os melhores arquitetos e artistas gregos da época, e o templo de estilo dórico foi pensado pelos arquitetos Calícrates e Íctinos e pelo escultor grego Phidias, que teria projetado o Partenon de acordo com a proporção áurea (ou ainda razão dourada). Foi sugerido posteriormente que o número irracional gerado por essa proporção tenha sido nomeado de Phi (letra grega φ) justamente em homenagem a Phideas pelo trabalho no Partenon.

ORDEM JÔNICA

Contrapondo a ordem Dórica, a Jônica é considerada uma ordem feminina, usada principalmente nos templos das deusas. Embora muito recorrente, é importante ressaltar que essas associações com gêneros não representam necessariamente uma regra; Templos dóricos também já foram erguidos para deusas femininas, por exemplo. Ainda assim, de acordo com Vitruvio, as alturas das colunas jônicas teriam oito vezes o seu diâmetro em referência à delicadeza da mulher, com suas caneluras representando as dobras de seu vestido, sua voluta os cabelos e sua base os sapatos. Sua principal característica é o capitel com essas volutas características, que lembram as pontas enroladas de um pergaminho. São elementos jônicos também o fuste com maior número de caneluras (são 24 estrias), a arquitrave com três faixas horizontais (três níveis) e o surgimento das cariátides, estruturas esculpidas em formato de figuras femininas. Suas colunas se diferem das colunas dóricas pelo fuste mais esguio, efeito do diâmetro menor e uma base mais ornamental e decorada, colocada sobre a estilóbata.


O templo mais expressivo da ordem jônica é o Erecteion, erguido em homenagem a Poseidon, Atena e Erecteu. Também está localizado na Acrópole em Atenas e foi construído pelo arquiteto Mnesicles. Possui duas celas individuais e irregulares (devido à diferença de terreno) e dois pórticos desiguais. O pórtico Norte distingue-se pela altura das suas colunas e delicadeza dos capitéis; o pórtico Sul é o mais famoso por ter seis cariátides, as figuras femininas que fazem as vezes de colunas. Ao redor de todo o templo havia um friso, da qual restam alguns fragmentos conservados no Museu da Acrópole de Atenas.

ORDEM CORÍNTIA

A ordem coríntia tornou-se popular no período helenístico e eram mais raras na Grécia Antiga, sendo usada em interiores. Seus ornamentos e efeitos teatrais contrastam com a integridade estrutural vista na arquitetura clássica até então, revelando a ênfase do helenismo nesta ordem que encantou os romanos com a ornamentação e os fez espalhar colunas coríntias por todo o seu império. Segundo Vitrúvio, a ordem coríntia teria o intuito de representar a beleza virginal e há uma história para o seu surgimento: A inspiração teria vindo de uma cesta oferecida ao tumulo de uma jovem. Dessa cesta cresciam folhas de acanto, que cobriam seu entorno e despendiam sobre a pedra que a fechava. Assim, o elemento mais marcante da ordem coríntia são os capiteis com oito folhas de acanto, moldado na forma de um sino invertido. Sua coluna é a mais alta dentre as ordens, sendo a altura até dez vezes maior que o seu diâmetro e o fuste é formando por muitas estrias. Possui cornijas ricamente elaboradas, com relevos e elementos escultóricos.


Representante da ordem coríntia, o Templo de Zeus Olímpico ou Olimpeu é um dos maiores templos gregos já feitos. Sua construção levou sete séculos para ser concluída, porém pouco sobrou de sua estrutura nos dias de hoje. De suas 104 colunas originais, somente 15 ainda se mantém de pé atualmente. Se elevava sobre um pódio de 41 m x 108 m, com uma série dupla de colunas na frente e nos fundos, e uma série simples nos lados. O seu interior abrigava a imagem de Zeus feita de ouro e marfim.

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Templo de Zeus Olímpico [Fonte: Wikimedia Commons]

 

BIBLIOGRAFIA:

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